13°/ 27°
Belo Horizonte,
29/JUL/2016

Música motiva e dá ritmo aos exercícios físicos

É importante saber escolher o fone de ouvido e não deixar que a melodia disfarce o cansaço

Diminuir Fonte Aumentar Fonte Imprimir Corrigir Notícia Enviar
Revista do CB - Correio Braziliense Publicação:25/06/2014 14:00Atualização:25/06/2014 14:15
Gás total: Otoniel Batista e Mara Roberta Neves não abrem mão de música na hora de correr. Já Daniel Gisi prefere ouvi-la apenas no aquecimento (Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
Gás total: Otoniel Batista e Mara Roberta Neves não abrem mão de música na hora de correr. Já Daniel Gisi prefere ouvi-la apenas no aquecimento
A companhia do fone de ouvido na hora de correr é indispensável para a médica Mara Neves, 29 anos. Ela não abre mão da lista de músicas nos treinos ou durante competições. “Dá muito mais energia”, garante. E está mesmo comprovado que a disposição, o ritmo e a concentração melhoram quando a música certa é combinada à atividade física. “Estudos mostram que a música traz um elemento motivacional, além de ter a função de dar ritmo ao exercício”, explica a professora de educação física Renata Aparecida Dantas. “Nosso coração tende a acompanhar a batida da música, e isso estimula nossa função fisiológica”, completa.

A psicóloga Keli Rodrigues também aponta benefícios na prática. “A música ajuda a manter o foco e melhora a disposição. A atividade física é altamente sensorial e a intensidade do exercício provoca fadiga. A música acaba por desviar a atenção da dor e do cansaço. Isso ajuda o atleta a resistir por mais tempo, bem como a se concentrar melhor.” Além disso, um estudo feito pelo neurocientista inglês Jack Lewis, em parceria com um site, também concluiu que músicas estimulantes contribuem para a performance física.

As batidas da música eletrônica costumam ser a escolha de Mara Neves, que até investiu num fone sem fio. “Na última corrida da qual participei, eu ainda usava um fone com fio e ele ficava caindo. Isso pode ter me prejudicado porque fico na dependência da música”, acredita. Além de se preocupar com a liberdade de movimentos, ela teve o cuidado de comprar um modelo que a permite escutar os sons ambientes, o que é importante para evitar acidentes.

Mara sempre guarda um “trunfo” para as corridas. “Eu uso um aplicativo no celular que ativa uma ‘power song’. Quando você começa a diminuir sua velocidade, ele coloca a música que você escolheu para ser sua ativadora. Tipo I will survive, da Gloria Gaynor”, ri. De acordo com a psicóloga Keli Rodrigues, isso realmente funciona — a sensação de bem-estar acaba se transferindo da música para a atividade.

A fisiculturista Heloiana Quintiliano, 25 anos, também não dispensa uma lista animada de música, com pop e eletrônico, na rotina diária de treinos. “Faz toda a diferença. Acho que dá mais disposição. Ao treinar com música, você se concentra mais, não fica disperso e o ritmo ajuda. Sem som, o treino fica monótono.” Para ela, o estímulo extra surge com Eye of the tiger, tema do filme Rocky: um lutador. “Quando dá aquele desânimo, eu escuto e já volto para o eixo.”

Já o chef de cozinha Luis Felipe Tavares prefere músicas pesadas na hora de puxar peso. “Gosto de rock, de heavy metal. Costumo ouvir Iron Maiden, Lamb of God e Death. O ritmo me deixa mais animado, a batida e a cavalgada da guitarra fazem diferença.” O celular recheado de músicas o acompanha nos cinco dias da semana em que malha. Trata-se de um item indispensável, já que ele não gosta do som ambiente da academia. “Assim, tenho foco, não sinto fraqueza e dá vontade de fazer o exercício até o fim. Quando não tem música, canso mais e o treino fica chato”, resume.

Renata Dantas lembra que alguns tipos de prática desportiva são indissociáveis da trilha sonora. “É o caso do spinning e do jumping. Sem música, eles não funcionam. É preciso a batida para marcar o ritmo do exercício. As atividades aeróbicas são as mais beneficiadas pelo acompanhamento musical.” O entusiasmo proporcionado também tem um lado perigoso. “Muitas vezes, o principiante tenta acompanhar o ritmo da música e acaba passando mal”, alerta a professora. O educador físico Jefferson Paiva confirma que esses casos acontecem, mas a lista de vantagens supera a de inconvenientes. “A pessoa é motivada pela audição, pela batida e pela letra. Assim, consegue executar os movimentos até com mais perfeição.”

Corredor experiente, o auxiliar de educação Otoniel Batista, 41 anos, é uma exceção. Ele prefere silêncio. “Os fones ficam incomodando, começam a cair com o suor. Quando tentei, senti que prejudicou o rendimento.” Ele nem cogita usar o equipamento em provas. O empresário Daniel Gisi, 32, tem uma percepção parecida. “Já tentei usar fone, me incomodou o fio e ter uma coisa pendurada na hora de correr. Eu gosto de marcar o ritmo na minha cabeça, me concentro melhor assim.” A música, porém, é bem-vinda no aquecimento. “Ajuda a criar um clima de vontade de correr. Gosto de colocar uma música antes, em dias que estou meio cansado. É bom algo mais agitado, independentemente do gênero.”

Aumente as batidas
A música contribui no foco, na concentração e melhora a disposição. O coração tende a acompanhar as batidas da trilha sonora e, assim, o corpo é estimulado. Os bits da música devem estar sincronizados com a cadência cardíaca que o exercício exige. Exercícios mais rápidos pedem músicas com batida mais acelerada.

Abaixe o volume
A música desvia a atenção da dor e do cansaço causados pelo exercício físico, o que pode ser perigoso, uma vez que a pessoa pode exceder seu limite.
Ao usar fones de ouvido, escolha um modelo que não bloqueie completamente os sons externos, como os do trânsito.
Quando ouve música, o corredor perde as informações dadas pelo barulho das passadas e da respiração.

COMENTÁRIOS

Os comentários são de responsabilidade exclusiva dos autores.