|
PARACATU
Improvisos e artimanhas
Assim como outras áreas do conhecimento, gastronomia é ramo que carece de ciência para ser executada. Disso a paracatuense Terezinha Batista Pimentel sabe bem. Aos 81 anos, esta quitandeira de mão cheia conhece todas as artimanhas para preparar receitas tradicionais, como o bolo de domingo, iguaria que carrega o gosto de outros tempos. “Naquela época a farinha de trigo não chegava aqui. Então, eles inventaram o bolo de quirela de arroz”, conta. Outras histórias, ou causos, dão conta de que, em tempos remotos, Paracatu era um lugar de difícil acesso e, por isso, muitas das iguarias surgiram graças ao improviso das cozinheiras. “No lugar das forminhas, o bolo de domingo era assado em folha de bananeira e no lugar de fermento usavam bucho de tatu”, diz. Entre os segredos e artimanhas do bolinho, a cozinheira ensina que o mais importante é o tempo de fermentação. Na hora de assar, outra dica é usar, se possível, o forno a lenha, para que a quitanda fique coradinha. Depois de todos os ensinamentos, só resta seguir a receita ou, até mesmo, programar uma visita a Paracatu e comprovar que a iguaria é daquelas de deixar saudade.
Como fazer bolo de domingo
Caso use a quirela, lavar e deixar ao sol, em uma peneira, por cerca de três horas. Bater em um pilão e, em seguida, passar em uma peneira, para que fique bem fina e forme um fubá. Deixar ao sol por um dia. Pôr metade do fubá de arroz feito de quirela ou do arroz comum em uma vasilha e escaldar com metade da água. Pôr o sal, o açúcar, a noz-moscada, o cravo, o óleo, o restante do fubá de arroz e mexer. Acrescentar o restante da água, que deve estar morna, e misturar com a colher. Pôr o fermento e misturar. Cobrir a vasilha e deixar descansar por duas horas, de preferência ao sol. Untar as forminhas com óleo e despejar a massa. Assar, de preferência em forno elétrico ou a lenha, por 40 minutos, em temperatura alta.
Receita fornecida por Terezinha Batista Pimentel,
de Paracatu: (38) 3671-6430 |